RIO DE JANEIRO - O documento final da Rio+20 foi aprovado hoje (22) sem alterações pelos chefes de estado e será oficialmente adotado por mais de 190 países. O texto foi finalizado no dia 19 e, em tese, poderia sofrer mudanças nesta fase, o que não ocorreu.
O documento final não faz menção à criação de um fundo de US$ 30 bilhões, financiado majoritariamente por países ricos, para arcar com ações de sustentabilidade no mundo. Há apenas um comentário genérico sobre o fato das nações mais ricas terem mais responsabilidades com o meio-ambiente.
No início da conferência, houve grande expectativa de que seria possível levantar recursos para financiar ações práticas de combate à poluição e desmatamento. Líderes de nações pobres, notadamente da África, expressaram grande descontentamento com o texto final.
O documento traz ainda compromissos como o fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a criação de um Fórum Político de Alto Nível Internacional e o desenvolvimento sustentável com erradicação da pobreza, entre outros.
Para a média dos analistas, a conferência apresentou resultados muito modestos, com poucos avanços. Ambientalistas de todo o mundo criticaram o documento final, argumentando que as nações reunidas não conseguiram fechar consenso mínimo sobre políticas efetivas para preservar o meio-ambiente. Para este grupo, o encontro foi um fracasso.O secretário-geral das Nações Unidas, o coreano Ban Ki-moon, principal responsável pela Rio+20, tentou contemporizar, argumentando que os avanços apresentados são razoáveis e que é sempre muito difícil criar consenso num grupo com 190 membros.
Ao final da conferência, Bolívia e Equador fizeram ressalvas a alguns pontos do documento, como a redução dos subsídios aos combustíveis fósseis. Ambos disseram que não vão aceitar qualquer monitoramento externo a suas políticas energéticas internas. A Bolívia também disse rechaçar o conceito de economia verde que, para o governo, é o mesmo que mercantilizar a natureza. Ambas nações têm suas pequenas economias muito dependentes da exportação de combustíveis, gás natural e carvão (no caso da Bolívia) e petróleo (no caso do Equador).
A Santa Sé, que representa a Igreja Católica e o Estado do Vaticano, fez ressalvas à menção a métodos de planejamento familiar e ressaltou a família como indispensável ao desenvolvimento. Já a União Europeia e o Peru ressaltaram que queriam um documento mais ambicioso, mas consideraram o texto um avanço.
A próxima reunião das Nações Unidas para discutir a preservação do meio-ambiente deverá acontecer em dois anos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário