domingo, 20 de maio de 2012

Olimpíada leva até 30 anos para dar retorno

Obras para grandes eventos esportivos cada vez mais transferem recursos públicos para viabilizar lucros privados (Foto: Divulgação)

No Rio, vai demorar ainda mais. Eventos sugam recursos públicos para lucro privado.

O poder público levou 30 anos para recuperar o investimento nas Olimpíadas de Montreal (Canadá), em 1976. E na do Rio, em 2016, o retorno deve demorar ainda mais. A afirmação é do economista Luiz Mario Behnken, do Fórum Popular do Orçamento do Rio de Janeiro.

Segundo ele, os grandes eventos esportivos cada vez mais se caracterizam pela transferência de recursos públicos para viabilizar os lucros privados.

"Somente os Jogos Olímpicos de Los Angeles (1984) contaram com investimentos privados unicamente. E isso se deu em contexto bem situado: foi uma resposta a Moscou, que sediara as Olimpíadas em 1980 e foi boicotada por causa da invasão da União Soviética ao Afeganistão. Veja a ironia", diz Behnken em entrevista exclusiva ao MM, acrescentando que a idéia de legado para a cidade, sempre lembrado por causa dos Jogos de Barcelona, também foi sendo gradativamente abandonada.

"Sidney, na Austrália, deixou um legado ecológico, relacionado ao tratamento do lixo. A Copa da Alemanha também, ao reduzir a emissão de gases do efeito estufa, ao contrário do Brasil, onde a expectativa é de aumento da poluição. A Alemanha, ao evitar o uso do automóvel para transporte dos torcedores, fez as emissões caírem muito. Por que no Brasil, em 2014 ou 2016, isso não pode ser feito?", indaga.

Behnken observa que o discurso para Copa e Olimpíadas foi não repetir os erros do Panamericano. "Mas esse discurso já foi esquecido. E o legado social mais ainda. Já saiu da agenda. Estamos tentando salvar os dedos, os anéis já se foram."

Para ele, até os investimentos na melhoria dos transportes no Rio não podem ser diretamente relacionados aos eventos. Para ele, mais importante do isso é o deslocamento da população, que atingiu 170 mil pessoas já removidas no Brasil em função das obras para os grandes eventos esportivos.

FONTE: Monitor Mercantil Digital

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