Nos meados dos anos 80, quando tinha os meus 14 ou 15 anos de idade, ainda no colegial, batendo meu futebol descalço na rua, curtindo as festinhas americanas, as paqueras, o disco de vinil, onde nas discotecas, tocava-se Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Titãs, e também não poderia deixar de falar no Barão Vermelho, fundada em 1981, na cidade do Rio de Janeiro.
Os estudantes Guto Goffi (bateria), com 19 anos e Maurício Barros (teclado) com 17 anos de idade, após assistirem um show do Queen no Morumbi, em São Paulo, surgiu o desejo em formar uma banda de rock. Logo depois, a dupla se uniu a Dé, baixo, e Frejat, guitarra, faltava somente o vocalista.
Os ensaios ocorriam sempre na casa dos pais de Maurício, onde através de uma amiga de escola, convidaram um vocalista chamado Léo Guanabara (que veio a ser conhecido como Léo Jaime), devido ao timbre da voz, incompatível com o projeto, fez com que ele não fosse aprovado pela banda, mas indicou Cazuza, e assim nasce o BARÃO VERMELHO, em homenagem ao aviador alemão Manfred von Richthofen, principal inimigo dos Aliados na Primeira Guerra.
Em 1982, o produtor musical Ezequiel Neves e o diretor da Som Livre, Guto Graça Mello, juntos, eles lançaram a banda e, com uma produção baratíssima, foi gravado o primeiro álbum do Barão, que recebeu o nome da banda, fazendo inclusive alguns shows no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em 1983 é lançado o LP "Barão Vermelho 2".
Embora tocando pouco nas rádios, somente depois que Ney Matogrosso gravou "Pro Dia Nascer Feliz", aí sim, passam a tocar a versão original, e nessa mesma época também, Caetano Veloso reconheceu Cazuza como um grande poeta e incluiu a música "Todo amor que houver nessa vida" no repertório do seu show, e a partir desse momento então, o Barão Vermelho decolou de vez.
Em 1984, começaram a ter o destaque que mereciam, sendo convidados para compor a trilha sonora do filme Bete Balanço, e aproveitando o embalo, o lançou o terceiro disco, Maior Abandonado, conseguindo vender mais de 100 mil cópias em apenas seis meses.
Tocaram com a Orquestra Sinfônica Brasileira, e em 1985, foi convidado para abrir os shows internacionais do Rock in Rio. Depois de tanto sucesso, estava claro para todos que a carreira da banda estava consolidada.
Mas quando parecia estar tudo bem, Cazuza deixa a banda, levando consigo algumas músicas para o seu primeiro disco solo. A saída, no entanto, anunciada primeiramente ao público no final de um show, foi conturbada, causando uma ruptura na forte amizade que unia Cazuza e Frejat e que só veio a ser reconciliada anos depois. A banda superou, lançando a música "Torre de Babel", agora com Frejat no vocal.
Depois de Cazuza, foi à vez do tecladista Maurício deixar a banda, e entraram o guitarrista Fernando Magalhães e o percussionista Peninha. Logo depois foi a vez do baixista Dé, dando lugar a Dadi, ex integrante dos "Novos Baianos" e do "A Cor do Som", onde então vem a ser substituído por Rodrigo Santos.
Em 2001, após apresentar-se no Rock in Rio 3 Por Um Mundo Melhor, os integrantes resolveram dar uma "pausa" na banda a fim de desenvolverem projetos pessoais, retornando em 2004, onde nesse meio tempo, lançam um novo álbum, "Barão Vermelho", um livro sobre sua carreira e o DVD com o histórico show no Rock in Rio I, até que em janeiro de 2007, a banda faz seu último show no Rio de Janeiro, antes de nova parada "de férias".
Nestes 30 anos de estrada, o Barão Vermelho ganhou vários prêmios, em diversas categorias, com 12 álbuns lançados, com 05 álbuns ao Vivo, 03 coletâneas, um livro, com uma história belíssima, onde o baixista Rodrigo Santos e o vocalista Roberto Frejat cogitam a volta do Barão aos palcos a partir de 2012.
Nós, fãs do velho e bom rock and roll, fãs do som com qualidade estamos torcendo que isso aconteça neste ano.
Valeu e até a próxima.
AUTOR: Denílson Lopes da Costa

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