:: Por Ana Luiza Moreira Mano - Convergência Digital
Algumas polêmicas foram levantadas em torno da relação dos atletas olímpicos com a internet, as redes sociais e as novas tecnologias – com a indagação do quanto esses adventos poderiam contribuir para fazê-los desfocarem de seus objetivos. De fato, hoje, a internet pode estar presente na maioria das atividades que realizamos no cotidiano. No caso dos jogos olímpicos, a possibilidade disso acontecer é ainda maior.
O público quer compartilhar o que está experimentando a respeito do evento nas redes sociais e, ao mesmo tempo, muitos atletas também fazem o mesmo – é claro que eles são parte dessas redes. Parece que muitas pessoas se esquecem que os atletas são também seres humanos, com qualidades, defeitos e emoções, (e que todos eles podem acessar o que está sendo dito sobre suas performances).
É fato que, no mundo de hoje, quem se expõe corre o risco de ser criticado, bem como vangloriado. Felizmente ou não, a internet não perdoa nem esquece. Qualquer pessoa pública está sujeita a um grau de exposição muitas vezes superior ao desejável.
Para aqueles que criticam a posição exaltada de alguns atletas em suas redes sociais, fico com a impressão de que existem pessoas que esquecem que os atletas também tem direito a serem pessoas “normais”, mesmo durante um evento como as Olimpíadas. Eles comem, dormem e (por que não?) checam a internet, seus e-mails e suas redes sociais. Nisso, acabam se deparando com um pouco de tudo o que está acontecendo ao redor do evento do qual estão participando.
Assim como quem se dá ao trabalho de fazer críticas destrutivas, também existem aqueles que irão elogiar e comentar positivamente sobre alguma performance mesmo quando esta não tenha acontecido da maneira esperada. Quando se é famoso, é preciso um pouco mais de paciência para lidar com a opinião alheia, mas isso não significa que uma figura pública deva conseguir manter a calma em todas as situações. Já vimos diversos exemplos de celebridades se descontrolando publicamente perante alguns episódios.
Em geral, quem tem sangue pulsando nas veias nem sempre consegue levar desaforos para casa. Que atire a primeira pedra quem nunca “perdeu o controle” numa situação altamente estressante. O que se poderá, então, dizer sobre um atleta que carrega em seu espírito a bandeira de um país e o prestígio de toda uma nação?
Também não estou aqui dizendo que o ideal é que cada pessoa deva olhar para si mesma antes de criticar ao próximo, até porque sabemos que, diversas vezes, isso não é o que acontece e, principalmente, em um ambiente mais “descontraído” como o das redes sociais. Apenas constato que é triste perceber uma ferramenta tão útil como a internet sendo utilizada quase como uma porta de banheiro público, onde se escrevem futilidades e reclamações das mais diversas categorias.
As perguntas que ficam são: o que nós estamos buscando ao desvalorizar uma performance que não foi perfeita? Foram os atletas que perderam o foco, ou fomos nós, os espectadores? E mais: por acaso o ditado não dizia que o importante era competir?
ANA LUIZA MOREIRA MANO – É psicóloga clínica com experiência na relação homem e tecnologia e coordenadora do setor de psicologia do Instituto Coaliza (http://coaliza.org)

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